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segunda-feira, março 6


OSCAR PREMIA CAUBÓIS GAYS E CONFLITOS RACIAIS

Surpresas? Muitas. A estatueta de melhor filme não foi para "Brokeback Mountain", como o mundo esperava, mas para "Crash - No Limite", que fala sobre a intolerância racial de Los Angeles.

Mas vamos ao que interessa. Os pontos altos da premiação:

* Lilly Tomlin e Meryl Streep foram as responsáveis por um dos melhores momentos da festa. As duas, que subiram no palco para homenagear o diretor Robert Altman, deram uma aula de atuação.

A idéia foi ótima e o Oscar, que abre pouco espaço para este tipo de interpretação "ao vivo", deveria repetir o feito mais vezes. Nada mais justo que colocar aquele povo bem vestido (ou não) para trabalhar. Se no Grammy tem bastante música...


Trinca poderosa do Oscar

* Minhas palmas para George Clooney, o cara mais cool do Oscar. Eu tenho que admitir que nunca fui de respeitar muito o ator (agora, também um diretor de talento). Eu explico. É que eu tenho essa péssima mania de levar em conta o histórico das pessoas. E eu via E.R., o famoso Plantão Médico, dublado e exibido pela Globo. E isso dificulta muito a quebra do meu preconceito. A mesma coisa acontece quando me dizem que a Letícia Spiller é boa atriz. Vocês entendem? Mas eu vou mudar. Juro.

* Eu não entendo de moda (qualquer dúvida, o Gente Fashion fez um balanço excelente da festa), mas eu daria um Oscar só para a beleza, a elegância e a tudice de Charlize Theron e Uma Thurman. As atrizes podiam estar vestidas com as camisolas da minha tia velha que estariam deslumbrantes.


* Vocês também acharam o José Wilker arrogante demais, com pose de cinéfilo de classe média alta que fuma charuto? Ou o problema sou eu, que estou acostumado com a "deselegância discreta" das apresentadoras Analice Nicolau e Adriane Galisteu?

* Nenhuma surpresa nas premiações para melhor ator, atriz e coadjuvantes. Legal que Rachel Weisz, a mulher que nos salva do tédio em "O Jardineiro Fiel", tenha levado uma estatueta.

* Sobre Philip Seymour Hoffman, continuo achando que a sua atuação mais significativa foi em "Boogie Nights". Mas que o ator fez um ótimo trabalho ao receber a estatueta, ah, fez! Aquela leve agonia com singelos toques de ansiedade, representada por aquela constante mão na testa, e a latente preocupação de estar, enquanto pessoa agradecida, em cima do palco, deram um toque muito dramático e meticuloso durante o discurso. Um show de interpretação. Mais um Oscar para o cara!


- Thank you! Thank you!

* Reponda rápido. Quantos dentes têm a boca da melhor atriz Reese Witherspoon?



* A premiação de "Crash" fez do Oscar não só a premiação gay que todos esperavam acontecer, mas também uma festa que se preocupa com os problemas que afligem Los Angeles (ou o mundo todo?).

O filme premiado fala sobre racismo, mostra os esbarrões multiétnicos que provocam a violência na cidade americana, tenta entender os conflitos raciais que assombram o país de Bush e apresenta, basicamente, o drama dos personagens que vivem em crise, assustados ao ponto de comprar uma arma e sair atirando pelas ruas.

Enfim, o grande problema de Crash é que ele não diz nada. Só apresenta. Chega a ser picareta demais a direção de Paul Haggis e aquela sua câmera estilosa e "voadora" que passeia não por pessoas - o que poderia ser bem mais proveitoso -, mas pelas camadas sociais que geram inúmeras discussões nos EUA.

Booooring.


* Aliás, um Oscar também podia ser dado para a cara de surpresa de Jack Nicholson (acima) ao ver que "Crash" ganhou o prêmio de melhor filme.

* Você não viu, mas... Olha quem também esteve no Oscar, só que vestida de pavão.