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domingo, março 19


OS FALCÕES DO TRÁFICO

Hoje à noite que o Fantástico exibe o documentário de MV Bill e seu empresário, Celso Athayde, "Falcão - Meninos do Tráfico".

Eles acompanharam a vida de 16 meninos que trabalham na favela como "falcão", apelido dado para aqueles que vigiam a favela e avisam quando a polícia está chegando. O filme tem 58 minutos e mostra cenas da intimidade de crianças com metralhadoras, granadas e cocaína.

Dos 16 meninos, 15 já foram assassinados e seus enterros foram filmados pelas câmeras. O único sobrevivente foi empregado pelos produtores, mas voltou ao tráfico e hoje está preso.

"Pode vir alemão, Aeronáutica, Exército, Marinha, o que for, que nós 'vai' cair pra dentro. Nós 'tem' que proteger os moradores, nosso morro, nossa favela", diz um dos meninos no documentário, com uma arma na mão.

O filme é legendado e traz a tradução de várias gírias. O Fantástico exibe o programa em três blocos, cortados por intervalos comerciais.

O documentário vai dar o que falar e, como sempre, gerar discussões chatíssimas (e muitas vezes erradas) sobre o problema da violência nas favelas do Rio. Um problema, no entanto, deve ser abordado pelo filme. O fato de que não adianta mais, hoje em dia, a polícia sair dando tiros em traficantes. Nos morros, eles já se multiplicam como Gremlins. Se matam um, nascem três novinhos. Tem solução?

UPDATE:

"É MUITO ESCULACHO NESSA VIDA"

Chocante, assustador e triste são algumas palavras que podem definir o documentário "Falcões - Meninos do Tráfico", exibido agora há pouco pelo Fantástico. Nada mostrado pelo filme deve ser novidade para a maioria das pessoas que já conhece como funciona o tráfico e a violência gerada por ele, mas os relatos daqueles meninos são o grande trunfo do material.

Um deles, sem família e sem perspectiva alguma, tem como maior sonho comprar uma "motinha" para tirar onda com as "mulé". Ele troca o dia pela noite porque trabalha no tráfico. Quando perguntado se ele alguma vez chora, ele diz que não. "Estou sempre drogado". Se tem medo de ser morto? "Se eu morrer, eu vou descansar. Se eu morrer, nasce outro que nem eu. Ou pior. Ou melhor. É muito esculacho nessa vida".

A dose de realidade é assustadora. Mas, para falar a verdade, esculacho mesmo é ter de aturar o Big Brother Brasil, exibido pela Globo logo em seguida. Tô fora dessa vida, tá ligado?