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quinta-feira, maio 5


LIDIANE, LIDIANE E LIDIANE

Lidiane sentou-se no cavalo e percorreu quilômetros de mata fechada. Passou por entre árvores, por sobre rios, riachos, viu montanhas, sentiu o sol em sua pele. Tirou a blusa, jogou ao léu, arrancou o sutiã, estava livre. Com destreza perfeita, conseguiu se desfazer da saia enquanto o animal ainda corria. Livrou-se também da calcinha. Estava nua. Para si, para a natureza, em contato direto e intenso com os pêlos grossos e agressivos do cavalo, que faziam contato com a doçura simples de sua vulva. O quadro foi vendido por 60 reais na feira livre de Copacabana. Seu Alberto nem ligava quando a mulher reclamava que ele só pintava baixaria. "Eu ponho comida na mesa, sua vaca", dizia o adorador da natureza.

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Lidiane pintou os olhos de preto em frente ao espelho. Contornou-os com força, borrando a cara com agressividade. Assim os deixava mais vivos, realçando sua face. Agora podia ver a si mesma. Não era nenhuma menina inocente, mas sim uma mulher independente, de personalidade forte. Botou a língua para fora, exibiu o piercing, balançou rapidamente. Sorriu. Socou o espelho com a mão. Socou de novo, de novo, até quebrar. Pegou um dos cacos na pia, fez um corte no pescoço, outro na bochecha. Hora do almoço, sentou-se à mesa, pediu para a mãe lhe servir arroz. Levou dois tapas na cara e voltou para o quarto chorando.

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Já era tarde. Lidiane voltava da academia. Com o tesão que estava sentindo, transaria com o primeiro que a abordasse, pensou. Parou no sinal, encostou-se no poste. Levou uma das mãos entre as pernas, apertou forte, fechou os olhos, arrepiou-se toda. Abraçou o poste com as pernas vestidas de lycra. Subiu, desceu, cravou a unha no aço enferrujado, forçou o púbis contra o poste, foi até o chão, subiu de novo. Ficou molhada. Atravessou a rua, chegou em casa. Lá, três contas atrasadas, uma pilha de louça para lavar, um vazamento no banheiro. Matou a barata que passeava pela sala e foi dormir.