<BODY> philipinas

quarta-feira, abril 6


CHÁ COM DOM EUSÉBIO

Quando li, logo lembrei das tias do Mauro Rasi. Na matéria do jornal O Globo, o cardeal-arcebispo do Rio, Dom Eusébio Oscar Scheid, parecia ser todas elas em um corpo só.

Direto do Vaticano - mas podia ser de um salão de manicure -, o cardeal conversou com os jornalistas brasileiros enviados e, cheio de acidez, falou sobre a fé do presidente Lula e comentou sobre a viagem que ele fará até Roma, para o enterro do Papa.

Certa hora, um jornalista pergunta sobre a possibilidade de um brasileiro vir a ser o próximo Papa, lembrando que Lula um dia já foi operário:

— Não mistura o Lula nesta história! Ele e o Espírito Santo não se entendem bem — responde Dom Eusébio.

Ninguém entende muito bem o porquê. Ele explica:

— Você acha que o Lula sabe quem é o Espírito Santo?

— Lula é católico — afirma um repórter.

— Católico, não. Ele é caótico — responde o cardeal.

A conversa continua. Dom Eusébio tenta se explicar melhor:

— Ele (Lula) tem atitudes que não são lógicas na nossa fé. O seu relacionamento com os gays. Quem foi que aprovou aquilo tudo? Deixou a todos nós meio perplexos. Essas coisas, confundindo controle de natalidade.

Sobre a liminar que permite o aborto de fetos sem cérebro, aprovada pelo ministro Marco Aurélio de Mello, Dom Eusébio clama:

— O Marco Aurélio, meu Deus, se arvorou um direito que não tinha quando legislou.

Os jornalistas aproveitam a prosa solta e perguntam sobre o encontro de Lula com Fidel Castro.

— Eram dois bobocas conversando — responde Dom Eusébio.

Sobre o avião presidencial, o AeroLula, que voa para Roma levando a comitiva brasileira, comenta:

— É claro que (Lula) não precisaria vir com o avião particular dele, não é? Mas tem essa delegação toda.

Quando sabe que Severino Cavalcanti também vem no mesmo avião para a "festa" no Vaticano, reclama:

— Ah, não dá!

No final, perguntam sobre quem é o melhor candidato para substituir o Papa. Ao responder, Dom Eusébio menospreza o cargo e dá uma pincelada na beleza natural brasileira.

— Ninguém quer ser Papa. Quem quer ser Papa? É um cargo de enorme responsabilidade. Eu, para aceitar o Arcebispado do Rio de Janeiro, não foi fácil. Estava em Florianópolis, uma ilha de idílio, beleza e poesia. O Rio também é, do ponto de vista natural, mas a problemática é bem maior.

(pausa para os comerciais)