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terça-feira, março 15


ESQUENTADINHOS DO RIO

O ar-condicionado do ônibus não está dando conta do calor. O Rio de Janeiro está um forno, um caldeirão. Com essa temperatura infernal, só fica feliz mesmo quem está indo para a praia. Se você trabalha, vestido de terno ou roupa social, é sofredor. Hoje, uma mulher no ônibus resolveu reivindicar, lutar contra o calor:

- Motorista, esse ar-condicionado não está funcionado. O calor tá infernal lá atrás. O suor tá pingando pela minha perna.

- Posso fazer nada, minha senhora. Tá no máximo. É que tá muito calor e tem muito passageiro.

- Ah, agora você quer me ensinar matemática? (pois é, também não entendi). - Eu sou advogada, eu sei do que eu estou falando - disse ela, de vestido e pastinha na mão. E eu jurando que se tratava de uma matemática graduada.

A confusão continua. Alguns dentro do ônibus tomam partido da briga e também atacam a trocadora e o motorista. A advogada cresce:

- Tá vendo? Não sou só eu! Você quer um coro?

- Vê lá, minha senhora! Se vai partir pra agressão, eu paro direto na delegacia.

- Meu querido, é coro de coral. Ninguém aqui vai dar uma surra em você. A gente só quer essa merda de ar-condicionado funcionando.

Ela desce do ônibus pisando firme, sob o olhar de todos. Não satisfeita, lá fora, aponta para o motorista o relógio de rua que marca os 41ºC que esquentam o Centro do Rio. O motorista grita de dentro do ônibus: - Isso é menopausa!