<BODY> philipinas: Maio 2004

sábado, maio 29


Tati Quebra-Fosfobox

Quando deixou a boate em Copacabana, Tati Quebra Barraco deve ter estranhado. A quantidade de flashes vindos de câmeras digitais era igual ao número de popozudas que costumam dançar em seus bailes. A chegada de Sra. Barraco teve ares de celebridade. Nem o atraso de quase duas horas conseguiu esfriar o ânimo do pessoal que cantou e gritou, junto com a MC, as letras de "Fama de Putona" e "Assanhadinha". "Vocês vieram aqui foi pra me ver, né?", perguntou Tati. Ninguém disse que não.

Com um drink na mão, um microfone na outra e escoltada por um segurança-armário, a funkeira foi direto para a pista, dançou no meio do pessoal, pegou o microfone e começou o show: "Eu queria dizer que é muito legal estar aqui nessa boate que eu não sei dizer o nome", disse. O staff que acompanha a diva do funk é formado por três profissionais: um segurança e duas amigas que ficam limpando o suor de seu rosto enquanto ela está ocupada cantando e bebendo. A apresentação de Quebra-Caralho (como se auto-intitula o tempo inteiro) teve seu ponto alto durante a execução do hit sexy-eletro-doméstico "Dako". Tati Quebra-Barraco nem precisou cantar. A pequena multidão se encarregou do trabalho, dando uma brexa para a convidada poder terminar o seu quarto (ou quinto?) drink.


E se marcar eu beijo meeeesmo, hein...


O "baile" não teve dedinho na boca. E nem cachorra rebolando em colo de tchutchuco. Tinha alguns feios, mas todos na moda. A platéia "muderna" que pagou 20 reais para ver a funkeira estava atrás de diversão, de tosqueira original. Veio ver uma mulher que canta o que pensa e do jeito que bem entende. Uma mulher que ficou três meses sem quebrar o barraco e que tá podendo pagar hotel pros homi. Isso que é mais importante.

Fotos no Cena Carioca

sexta-feira, maio 28


* Portugal vai receber o Rock in Rio 3. Vai ter show de Paul McCartney, Alicia Keys, Foo Fighters, Britney, Sting e mais uma pá de gente. No final de setembro, o país ainda é agraciado com o último dia de apresentação da turnê de Madonna. Por um momento, tive raiva de ser brasileiro. E senti muita inveja dos familiares portugas. Mas pô, hoje tem MC Barraco na Fosfobox. Tem coisa melhor?

* Uma colega insistiu:

- Mas Phelipe, você não tem cara de quem gosta de funk.
- E qual a cara de quem gosta de funk?
- Ai, Phelipe, você entendeu...
- Não, não entendi. E você nem me viu fazendo o Conspirador com dedinho na boca pra poder tirar quaisquer conclusões.

* Ontem foi a noite mais fria do Rio de Janeiro. Olha, esse tempo, aqui no Rio, pode matar gente. Carioca não está acostumado. Em Realengo, a temperatura caiu pra 13º C. O bairro do subúrbio viveu um dia de Suíça. Segundo um amigo que mora lá, teve gente indo comprar pão com gorro e luvas. Eu daria um dedo pra ver isso.

* Pra combinar com os dias frios, o legal é ir pro cinema. O fim de semana tem estréias legais. Tô curioso pra ver Fernandona, a informante Branca de Neve, em “Outro lado da rua”. Assim como o pipocão catástrofe americano “O dia depois de amanhã”.

* Olha só, tipo assim, bom final de semana.

quinta-feira, maio 27


Personificação

Numa tarde de quinta-feira, Germana, estudante de teatro, tinha conseguido o que tanto queria: uma arma dourada assim como a de Demi Moore no filme "As Panteras". Saiu pela casa dando cambalhotas, fazendo pose, caras, bocas e fingiu matar a empregada.

O novo brinquedo era de mentira, claro. Tinha sido enviado pelo pai que estava em Nova York, à negócios, para a filha de rosto quadrado e cabelos negros longos. Daí a comparação com a atriz americana, inventada pelos amigos da faculdade, e abraçada por Germana com unhas e dentes. Ela era a Demi Moore: no início do ano, começou a estudar cabala, malhou bastante e tomou bomba. Namorava um branquelo, alto, bem parecido com Ahston Kutcher. Mas o romance do casal mais bonito da Uni-Rio não acabou muito bem. Germana flagrou o namorado aos beijos com um dos brutamontes da faculdade.

- Me trocou por um Bruce Willis, é mole? - reclamou com as amigas - O nosso amor tinha que ser tão bonito e duradouro quanto o da Demi, que merda - chorou.

Depois daquele dia, abandonou o curso de cerâmica (onde fazia vasos de barro iguais aos da atriz de Ghost) e decidiu ser outra mulher.

- Cansei da palhaçada. Quero ter uma carreira promissora como atriz, quero ser uma Fernanda Montenegro - pensou enquanto manobrava o carro.

Quem viu Germana na semana seguinte, não acreditou. Tinha cortado o cabelo e pintado de castanho claro. Estava namorando um professor de oitenta anos, de barbas brancas, e andava com roupas de brechó. Não saía da biblioteca da faculdade. Quando a melhor amiga, indignada, perguntou o que estava acontecendo e como ela conseguia dar prum velho nojento daqueles, Germana pôs as mãos no peito, arregalou os olhos e exclamou:

- Ó!

terça-feira, maio 25


As tias do pop estão de volta

Artistas de sucesso dos anos 80 e 90 estão tomando conta dos palcos e estreando shows que trazem hits do passado e do presente. Além de Madonna, que iniciou ontem, em Los Angeles, a turnê Re-Invention, Prince também foi para os palcos com a sua Musicology - show que traz sucessos de sua carreira e as músicas do novo álbum homônimo.

Mas a volta das tias não pára por aí. Depois de uma ausência de sete anos, Morrisey pegou a estrada para promover o seu novo disco, "You Are The Quarry". E vendo agora pela tevê da Reuters, George Michael lotou a Virgin Megastore de fãs que pediam por autógrafos em seu mais novo CD, “Patience”.

É, os anos 80 estão de volta. Uma pena que uma das maiores estrelas pop dessa década esteja envolvido com escândalos por suas bizarrices. Seria legal ver Michael Jackson de novo nos palcos. Vamos torcer pra que tudo corra bem e num futuro próximo, quem sabe, ele não faça uma turnê. Só assim poderia ajudar alguns amigos que também se atropelaram com o tempo. Quem sabe um dueto com a Cindy Lauper? Ou o Boy George como um dos dançarinos em "Beat it"?


Madonna e bailarinos dançam Vogue


obs.: Segundo a reportagem da Reuters sobre a nova turnê de Madonna, a cantora “lembrou sucessos antigos como 'Celebrate' e 'Vogue'”. Alguém aqui já ouviu 'Celebrate'?

segunda-feira, maio 24


Cannes política?

Não é novidade alguma a reclamação geral com a premiação do Festival de Cannes a cada edição. No ano passado, por exemplo, com a premiação de “Elefante”, de Gus Van Sant, foi dito que a Palma de Ouro era dada ao filme americano, pois o outro grande favorito, “Dogville”, de Lars Von Trier, era agressivo e anti-americano demais. “Cannes é muito sensível a ações políticas”, disse a revista Variety.

Neste ano, acontece o contrário. O filme-documentário do gordo-sujo Moore, “Farenheit 9/11” - uma crítica agressiva e direcionada ao presidente Bush e suas políticas mundiais - leva a Palma de Ouro, desbancando o outro grande favorito “Diários de Motocicleta”, de Walter Salles. “O filme de Moore é um vulgar panfleto cinematográfico da campanha de 2004”, disse a revista "Variety".

Os jurados do Festival sabiam o rolo em que estavam se metendo ao premiar um filme tão censurado e boicotado pelos EUA. Tanto que, como nunca se fez antes em Cannes, resolveram explicar a decisão para a imprensa. Segundo Tarantino, presidente do júri, o filme de Michael-asqueroso-Moore é o melhor porque “tem o humor, o aspecto satírico que faz com que seja um grande filme. Ele (Michael Moore) encontrou o tom certo”, disse.


Shrek posa para os fotógrafos


Mas quem define melhor a confusão toda sobre o filme “Farenheit 9/11” é o diretor francês Jean-Luc Godard. Para ele, “Michael Moore tenta nos fazer acreditar que George W. Bush é burro. Mas Bush não é tão burro e Moore também não é tão inteligente”.

sábado, maio 22


Fim de semana frio: vamos pegar uns vídeos

* Madonna liberou: Homens e mulheres de kilt, pulando com bastões, ao som de "Into the Groove". Assim é o vídeo que tá correndo pela internet, que traz Madonna ensaiando para a nova turnê que começa daqui a dois dias. Já viram? Faz o download aqui.

* Nada agressivo: são poucos os comerciais de carro tão bonitos e pacíficos quanto este.

* Air sem censura: O videoclipe "Cherry Blossom Girl", da banda francesa "Air", produzido por um diretor pornô, conta o dia-a-dia de uma atriz pornô: o acordar, as perucas e as gravações das cenas de sexos. Algumas partes foram censuradas, lógico, com aquelas tarjas pretas. Mas o vídeo sem a censura pode ser visto (e não downloadado, veja bem) aqui. Tem um trailerzinho antes. Seja paciente.

* No Brasil não é assim: Mas o Big Brother mundo afora é visto como um programa apelativo e cheio de baixaria. Quem já pegou os vídeos pela internet, sabe muito bem disso. Se os brasileiros tiram a roupa facilmente na praia ou no carnaval, os gringos preferem fazer isto em frente à televisão. E convivem pelados (ou usando tangas ridículas), facilmente, um na frente do outro. Faz o download deles aqui e depois me diz se a Jeannine (uma BBB alemã) é ou não é um travesti.

* Esquece aquela de brasileiro comportado: Navegando por aí, achei o site do Mike. Quem? Também não sei. Mas ele tá no Brasil comendo (e pagando, claro) todas as garotas. Isso sim é baixaria. Não abra com a sua mãe por perto. Tem várias fotos dele com "nossas meninas" em praias de Copacabana e Ipanema pelo site. E de graça, dá pra ver um vídeozinho (aqui) da Shena (que nome é esse?) sambando e dando pro cara. Iêêêê! Brazil! Help! Caipiriña!

terça-feira, maio 18


Copacabana com frio é fofa


Os mendigos somem (para onde eles vão?), o calçadão esvazia, as barangas se vestem e até dá para andar pela calçada. É, também, uma boa época pra preparar um fondue e tomar xícaras (e mais xícaras, e mais xícaras) de chocolate quente. Mas é bom fazer tudo isso logo. Daqui a pouco o calor volta.

* Uma amiga reclama: “Roubaram o meu celular. Tava passando pela Cinelândia e me assaltaram”. Poxa, mas isso tá acontecendo direto. Você falava no celular quando foi assaltada? É assim que eles roubam. “Não, eu sempre deixo ele na cintura”. Depois dessa, perdi minha compaixão. Qualquer um que use celular na cintura, merece ser assaltado.

* A Fosfobox - boate tipo caixa de fósforos em um subsolo de Copacabana - é uma casa legal. Mas por mais legal que seja o pessoal que freqüenta a casa, ou o som do DJ, não dá pra se acostumar com a fumaceira. É como se todos os fósforos estivessem acesos dentro da caixa. Não há saída. E, poxa, até meu tio churrasqueiro sabe que a fumaça não pode ficar dentro da casa. Cadê a ventilação, os buracos?

* O nome dela é N´Dambi. A negona é backing vocal de Erykah Badu e já está no seu segundo disco solo, chamado "Tunin Up & Cosignin". Eu pergunto: como só fui descobrir isso agora?

É soulzão de primeira com um vozeirão de veludo à frente de um instrumental inspirador. O trabalho da cantora lembra as boas baladas de Erykah Badu (de letras inteligentes), mas qualquer comparação é afastada quando se ouve a voz de N´Dambi: um misto de Chaka Khan nos agudos e Nina Simone nos graves. É CD pra furar de tanto ouvir. É mp3 pra baixar e ouvir até enjoar.

domingo, maio 16



Querido Diário,

Aquela vaca tá em Cannes. E eu aqui em Los Angeles, toda cheia de espinhas e engordando. Que ódio! Sinceramente, eu não sei o que o mundo vê nela. Onde ela é bonita? Não falo isso por inveja. Eu sou super cabeça. Também não acho que ela tenha roubado o meu status de gatinha cool alternativa do cinema.

Ela pode ter sido um ícone dos anos 90 interpretando aquela drogada de "Pulp Fitcion" e hoje estar sendo venerada como a musa de Tarantino por "Kill Bill", bla bla bla, mas porra... Eu fiz "Quero ser John Malkovich"! E ainda fiz sucesso sendo feia. Não adianta. Eu sou a legal. Eu sou a bonita. Eu que sou a boa atriz. Uma Thurman é um cavalo cheio de dentes!

Me erra,

Ass. Cameron Diaz

sexta-feira, maio 14


Zaraia: “Me chamem de mito”

A vida virtual da representante de vendas de Brasília nunca mais foi a mesma depois de descobrir o mundo dos fotologs. Voltando de uma viagem para Portugal, seu filho de 20 anos sugeriu a criação de um fotolog para que ela "postasse" as fotos do passeio. O resto é história. Zaraia se tornou a musa predileta de todos os modernos e apareceu como favorita na maioria dos fotologs brasileiros. “Mas eu me considero uma pessoa muito popular. Tenho muitos amigos. Desde o porteiro até o senador. Pra mim não existe essa palavra de diferença, sabe? Somos iguais apenas”, explica.


Zaraia posa com seu grande amor: a câmera digital


Durante um chat pelo MSN, Zaraia (apelido criado pelo seu filho, que a “zuava” por não conseguir pronunciar o nome correto do herói japonês Jiraya) contou detalhes de sua vida pessoal e mostrou preocupações com a fama repentina. “Só vocês mesmo pra fazer aquele alvoroço todo, aquele negócio de Zaraia Musa. Já disseram que eu era mulher de político. Nem casada eu sou. Disseram que eu parecia mulher de cantor sertanejo e que batia na empregada para ela tirar as minhas fotos”, diverte-se.

"Depois, percebi que eu só favoritava gay"


Famosa por suas fotos poser, em diversas partes da casa em Brasília, carregadas de “atitude”, e por suas montagens “fofas” feitas no photoshop, Zaraia não consegue entender o porquê do seu sucesso. “No início, fiquei meio apavorada. Comecei com o flog, acabei gostando e colocando algumas pessoas nos favoritos. Depois, fui percebendo que só favoritava gay”, disse. “E por outro lado, nada contra. Muito pelo contrário. Curto pra caramba a opção (sic), ou seja, sem rótulos”, defende-se. E justifica: “Ontem, fiquei até 3 horas da manhã conversando com um carinha que tinha brigado com o namorado. Até perguntei várias coisas que eu também tinha curiosidade de saber. Foi 10”, disse.


Zaraia tenta atravessar a piscina de sua casa sem se molhar


No entanto, o maior medo de Zaraia é a possível descoberta de seu fotolog por amigos de trabalho. “Nãoooooooooooooo. Putz, nem pode, cara. Loucura se isso acontecer”. Segundo ela, os colegas podem não entender o conceito da “brincadeira”. “Eu represento Brasília e Goiânia. Sou a única representante da empresa que tem duas regiões e não sei se isto pode ser prejudicado, entende? Tipo assim, trabalho é trabalho. Durante a semana, eu sou a Executiva”, explica.

A vida dupla de Zaraia e a sua atitude “dentro-do-armário”, porém, só ficam restritas ao mundo real. A vendedora de remédios já está toda “out and about” pelos points cibernéticos. No Orkut, por exemplo, - um site de relacionamentos criado por um dos funcionários do Google - Zaraia possui uma comunidade dedicada só para ela. Mas admite: “Não conheço (o Orkut) e também não sei como funciona. Quem criou foi um amigo de Portugal, o Pato de Borracha. Todo mundo que comentava no flog pedia para eu fazer o Orkut. Aí ele me perguntou se eu queria que ele fizesse. Ele é gente fina demais”, diz, fofamente.


Zaraia, inspirada em Madonna, faz uma montagem "Love Profusion"


"Eu sinto saudades de vocês (fotologgers) quando vocês somem"


Quando perguntada sobre o seu fotolog predileto, ou o flogger mais bonito, Zaraia preferiu não dizer nomes. “Curto todos os que me visitam. Agora vou te falar uma coisa, meu lindo. Já sinto saudades de vocês quando vocês somem. Engraçado né?”

No final da conversa, Zaraia faz um pedido: para que eu não divulgue seu nome verdadeiro. “Olha, vamos com calma, tá? Estamos lidando com várias pessoas no mundo. Estavam me chamando de mito. Assim é bem melhor”.

quinta-feira, maio 13



Gael Garcia Bernal e Fele Martínez, atores de "A Má Educação", em Cannes.


Senhor Deus,


Eu queria ser o Gael Garcia Bernal. Sei que ele não é perfeito, mas isso é mais um motivo pra querer sê-lo. Desculpe-me por invejar a vida do rapaz, mas é que, por exemplo, ele tá em Cannes agora. E não é a passeio. Está lá porque fez um filme do Almodóvar. E outro do Walter Salles.

É uma estrela ascendente, assim como o Rodrigo Santoro. Mas não há comparação com o ator brasileiro. Rodrigo não tem a mesma graça do mexicano. Ah, o Gael é cool também. Ele fez “E sua mãe também” e “Amores Brutos”. Ele arrisca. E acerta. O Rodrigo até agora fez uma ponta em “As Panteras”. Quero ser o Gael não só pelo sucesso obtido com a sua profissão. E sim pelo jeito low-profile dele com a vida, com a imprensa, com a fama. Ele é feliz, tá vivendo um grande momento. E aposto que não tem um chefe idiota e nem se preocupa com a barriga dele.

Amém.

terça-feira, maio 11


Beber (e escrever) socialmente

O New York Times foi irresponsável. Ouvir somente o Brizola e o ex porta-voz do Collor para fazer uma reportagem “diplomática” como esta de domingo que chama o presidente do Brasil de alcóolatra é sacanagem das boas. Alguns acreditam que a matéria teria sido feita por encomenda. Outros a chamam de imprensa marrom. Acredito que o fato do repórter do NYT dizer que o hábito de beber do presidente Lula é uma preocupação nacional e atrapalha sua atuação no cargo é, no mínimo, não se importar com a verdade ou com os líderes de países que eles não respeitam. E assim continuar vendendo matéria que mistura entretenimento com política.

Notícias deste tipo vendem não é de hoje. A verdade é que a imprensa gosta, assim como o povo, de escândalo envolvendo qualquer político. Vide Monica Lewinski, que foi um prato cheio tanto para Bill Clinton quanto, posteriormente, para a imprensa mundial. Mas há um limite. Dizer que um presidente bebe o suficiente para se tornar uma preocupação nacional é uma informação que precisa ser melhor apurada. É, também, querer pôr fogo onde não se sabe se há lenha. Será que o New York Times está com saudades de Boris Ieltsin? Este sim bebia. Chegava até a assediar funcionárias em festas realizadas pelo governo com beliscões na bunda enquanto dançava alegremente. Era vergonhoso.

Mas o estranho disso tudo é o exagero com o que o jornal O Globo de hoje tratou do assunto. Dedicou três páginas inteiras chamadas "Mídia em debate" para debater a suposta bebedeira do Lula e a responsabilidade do NYT com o caso. Três! Seria muita vontade de defender o presidente brasileiro ou muita raiva do jornal americano? Não se sabe. E o que a Regina Duarte acha disso tudo?

Atualização:

Será que o Lula tava bêbado quando tomou esta decisão? Não deu pra entender a atitude de expulsar o repórter. Já imaginou se a moda pega mundo afora?

O que está acontecendo com Lula? Vaidade, arrogância? Tomar atitudes como esta fica parecendo que o jornalista gringo acertou na mosca quando falou sobre os seus "problemas" com a bebida. Se o motivo era uma preocupação com a sua imagem, e a do país (desmoralizadas com a reportagem do NYT), o tiro saiu pela culatra. Jornais do mundo inteiro estão falando, hoje, sobre a atitude anti-democrática do país com a expulsão do correspondente. Sabe, eu tenho medo.

segunda-feira, maio 10


Fui ver o “Diários de Motocicleta”

A fila enorme do Roxy, com somente duas meninas na bilheteria, não andava de jeito nenhum. E com a venda dos ingressos de meia-entrada - desconto do qual usufruo, onde é necessário apresentar até o comprovante de residência, às vezes – a coisa não melhorava. E para piorar, o gerente resolveu supervisionar o trabalho das duas. Na minha vez, barrou meu comprovante de mensalidade da faculdade, pois não tinha a autenticação mecânica. - Ora! E se eu não paguei? O que você tem a ver com isso? E se eu paguei pela internet? Mas o espelho que nos separava e a situação patética de discutir através de um microfone de pinico me fizeram desistir de argumentar. Paguei o ingresso inteiro.

Antes de qualquer coisa, queria dizer que o fato de ter pagado o dobro do valor pretendido, não influenciou o meu gosto pelo filme. “Diários de Motocicleta” mostra a viagem que despertou os ideais revolucionários e a briga por justiça do jovem Che Guevara. É viajando com o amigo por diversos países do continente que ele se depara com as péssimas condições de saúde, trabalho e vida da população latino-americana que suscitam em reflexões e indagações escritas em seus diários.


- Querido diário, tipo assim, tem muita gente feia aqui...


Podemos dizer que é o primeiro filme de Walter Salles que se preocupa com o todo. O personagem principal não é o líder Che Guevara. E sim o maltrato sofrido pelo povo latino acompanhado pela viagem dos protagonistas. A história do filme não está, assim como em “Central do Brasil”, “Terra Estrangeira” e “Abril Despedaçado” (todos filmes de Walter Salles), no drama de um único personagem e sua luta para se “encontrar”.

“Diários de Motocicleta” está focado, assim como Ernesto Guevara, no drama vivido pela população. Talvez a falta de sensibilidade para estes ideais socialistas poderia impedir, por exemplo, um garoto “burguês” criado em berço esplêndido capitalista de gostar do filme. Mais preocupado com o próprio umbigo, ele poderia se sensibilizar, digamos, com o dinheiro do ingresso (15 reais é dinheiro, tá?). Ou debochar, por exemplo, do recurso utilizado pelo diretor Walter Salles que faz, no final do filme, um “retrato” em preto e branco, com inspirações à la Sebastião Salgado, da população feia e marcada por rugas que a vida lhe deu.

Se o filme é bom? É. Se é o melhor de Walter Salles? Não. O que salva? O carisma de Gael Garcia Bernal, que mesmo tendo endurecido, jamás perdió la ternura.

quinta-feira, maio 6


Friends?

Espero que ninguém esteja lendo. Estou sem graça de admitir. Mas é que tá todo mundo comentando. Saiu na maioria dos cadernos de cultura de hoje. Os EUA vão parar para ver o último episódio, tem telão espalhado por Nova York inteira, o cu dos atores vão encher (mais ainda) de dinheiro... E eu preciso dizer. Tá entalado aqui ó: eu não gosto de Friends.

Até assisti bastante, admito. Mas o mesmo aconteceu com os programas do Sílvio Santos ou qualquer outro programa que preencheu minhas horas de ócio. Não gosto de Friends. Não acho eles bons atores. Nem engraçados. E a sitcom, nada demais.

Se a minissérie é um ícone dos anos 90, eu perdi um momento histórico porque tava assistindo NewsRadio, Simpsons e This Life (uma série inglesa supimpa que dá de mil em quaisquer "Amigos"). Portanto, se o Chandler fica obeso no final, se a Phoebe vira a Magda-Marisa-Orth ou se descobrem que o Ross tem Síndrome de Down, pouco me importa. "Friends" passou por mim como a vizinha daqui da frente faz todo dia. Será que é esse o motivo da grande "perda" do seriado? Vocês ficam tristes ou cobram ingresso quando o vizinho tá partindo?

Deixem o "Friends" terminar. Eu já tô satisfeito com a volta de Prince.

segunda-feira, maio 3


Eu sou legal ainda, tá?

Liz Smith é uma espécie de Hildegard Angel do New York Post. E assim como Camille Paglia, é uma das mulheres que protagonizam no showbizz cenas de namoro com Madonna. A demonstração do amor vem através de brigas, troca de elogios e alfinetadas publicadas na imprensa. Quando a cantora apareceu na capa da Time, por exemplo, na época de Like a Virgin, a jornalista disse que não via razão para tamanha atenção. Que a revista errou. Segundo ela, Madonna não duraria, assim como a MTV (ambas nascidas na mesma época). Em sua coluna de hoje, Liz Smith duvida que a atual Madonna (que prepara sua "The Reinvention Tour") tenha o mesmo fôlego pra ‘botar pra fuder’ nos palcos. "Can Madonna still have fun?", pergunta. “A nova persona do ícone pop, atualmente, é maternal. A garota que rolou no chão cantando ‘Like a virgin’ ou a mulher que posou nua em uma estrada de Miami para seu ‘Sex Book’ são, hoje, uma memória distante”.

A colunista, entrevistando por telefone a brain-manager de Madonna, Caresse Henry, provoca até conseguir o que quer. A empresária diz: “Não se preocupe. O tema do show é sobre diversão. Traz tudo o que um fã espera – Madonna cantando seus greatest hits”. “Ela está se divertindo com essa volta aos seus sucessos de antigamente e está os reinventando musicalmente. Madonna nunca se interessou em retrospectiva, mas com esse show vai se acabar”.

“Mas ela vai demorar muito para fazer de seu nome a sua missão de vida?”, provoca Liz Smith. Caresse ri e grita: “Madonna, Liz acha que você ficou santa demais pra poder se divertir”. E depois de alguns burburinhos, “uma voz familiar que eu não ouvia há anos pega o telefone”, escreve a jornalista. “Liz, eu estou mais feliz agora do que estive em toda a minha vida. Tenho dois filhos lindos e um marido brilhante e maravilhoso. Tenho o meu trabalho e minha fé. Nada disso significa que eu perdi meu senso de humor ou de diversão. Se isso é chato para algumas pessoas, eu não sei nem dizer o quanto isso não me importa”, disse Madonna, rapidamente, com autoridade. “Agora eu tenho que voltar pro ensaio senão Jamie King (o coreógrafo) me mata. Mas eu te vejo no Garden, né?”

O show de Nova York, em junho, no Madison Square Garden, tem seis datas confirmadas e já esgotadas (os ingressos foram vendidos em minutos). Jonas Akerlund, diretor dos vídeos “Ray of Light” e “American Life”, já está filmando Madonna nos ensaios para lançar o documentário que irá mostrar os bastidores da turnê da cantora pelo mundo. Mas não espere nada como o “Na cama com Madonna” (que mostrava uma bitchy-Madonna durante a turnê Blond Ambition). O filme vai mostrar a nova Madonna. E assim deve matar a curiosidade sobre a vida da família inglesa cabalística e provar que, mesmo mais comportada, a tia continua cheia de fogo.

domingo, maio 2


Momento Spam (lixo também é cultura)

Spam que é spam não tem hora certa pra chegar. E quando vem, sempre carrega um certo terrorismo. Deve ser isso que faz com que os chatos o passem adiante para os amigos. Não. Peraí. Não vamos humilhar (ou subestimar) nossos "colegas spamzeiros". Se Condoleezza ou Bush tivessem se preocupado - assim como eles - em fazer algo a respeito dos avisos que receberam antes do atentado de 11 de setembro, o desastre não teria acontecido, certo?

Errado. Os idiotas que espalham esse tipo de lixo nada mais fazem que... bem, espalhar lixo. Não por acaso, o spam de hoje fala sobre o 11 do 9. Escrito todo em caps lock (que eu tiro para colar aqui), ele começa, claro, assim: "Por favor, reenvie este e-mail a todos os seus amigos, colegas e parentes". Nem os familiares escapam. Ele explica: "Para quem não sabe, WTC significa World Trade Center". Pausa para o agradecimento pela informação. Se não fosse esse e-mail, estávamos perdidos com essas siglas. "Não abra o e-mail. É muito perigoso gente porque as pessoas irão abrir o e-mail logo pensando tratar-se de algo importante relacionado ao 11/09. Mas não faça isso". Pois é. Informação importante sobre atentados, nós, assessores da Casa Branca, recebemos por e-mail. E não é nada que se possa ler no jornal. São informações exclusivas enviadas para as nossas caixas postais. Agora entendo a importância do aviso. Mas ele me corrige. "Não importa a importância do e-mail. Não abra nem para dar uma simples olhada no título de wtc survivor. É um vírus que irá limpar todo o seu disco rígido. Para quem não sabe, disco rígido é o HD do seu PC, que possui todo o seu computador. Este vírus remove todos os dll files do seu computador e acaba com tudo. Tudo mesmo. Cuidado".

Agora eu explico. Para quem não sabe, os "dll files" são bombas contidas no seu computador. Elas são acionadas no exato momento que você aperta o "Send" do seu e-mail para enviar merda pros seus amigos. Tome muito cuidado.