Eu ri. Pensei que o cara tava de sacanagem. Depois que percebi que era sério, engoli o sorriso e fiquei com cara de babaca olhando pros dois. Veja bem. Uma pessoa que não faz nada da vida, mas malha e vai à praia, não é vagabundo, entende? Não ria. É sério. Respeite essas escolhas. É como entrar para uma faculdade, fazer cursos, estágios e estudar. Assim você estaria investindo na sua carreira profissional. Na academia, é a mesma coisa. Mas é investimento para poder namorar (ou fuder) pessoas de capas de revistas (o ideal é esse...não tô dizendo que alguém consegue isso). Conheço caras que trabalham o dia inteiro (ops, malham). Pensando melhor, qual o motivo de tanto preconceito? Por que o exterior não é tão importante quanto o interior? Malhar é um trabalho como outro qualquer. É até mais trabalhoso. Só que você não recebe. Paga.
Sai desse trabalho. Joga tudo pra cima, pega uns pesos, compra uma malha, pensa no seu abdômen. Vai ter todo um mundo pra te abraçar.
Uma possível substituta para Ella Fitzgerald é o que diz a maioria dos críticos especializados em jazz. É bem babaca a comparação. Quando Erykah Badu surgiu, jogaram a Billie Holiday como referência. E com Lauryn Hill, o que mais teve foi "Stevie Wonder" de saias. Eu falo isso como se Dee Dee Bridgewater tivesse aparecido agora. Não é verdade. Tá por aí há bem mais tempo. O "por aí" pode parecer escroto, mas ela assim foi "jogada" depois do surgimento da loira-má. Não o Falabella, mas Diana Krall. Ultimamente, o alvo de Dee Dee tem sido a cantora talentosa de repertório óbvio, Diana Krall. Juntou-se com outras "renegadas" e disse que as gravadoras e o mundo do jazz tinham predileção e davam mais atenção (financeira) para a gata lôra de boca torta e voz de macho. Mas esta vendia mais mesmo. Dee Dee chegou a dizer que Diana era só uma cantora meia-boca que tocava piano. Bom, realmente é mais vendável para as Lojas Americanas da vida e até mais bonito pendurar um pôster da Diana Krall e deixar a Dee Dee Bridgewater escondida no estoque. Beleza vende. Mas se comparada com Dee Dee Bridgwater ou Cassandra Wilson, Diana Krall fica pequena. E muito. O protesto ficou meio engraçado. Dava para imaginar as meninas batendo os pés com as mãos nas cadeiras : "Sacanagem! Só por que ela é mais bonita? A gente tem mais talento, tá?"

- Oi. Meu nome é Christina. Vim aqui sei lá por quê. Qualé da parada?
As grandes entrevistas que a Marília Gabriela nunca fez
A primeira vez que vi e ouvi o LL Cool J foi durante a sua apresentação no Grammy, cantando o sucesso "Mama said knock you out". O grande barato do rapper é a sua facilidade e habilidade de fundir o pop com o rap com suas letras aparentemente fáceis de colar e melodias nada agressivas. Bom, o fato de estar relacionado com o popular fez com que várias pessoas torcessem o nariz dizendo que o cara teria se vendido. O que é bem estranho, não acha? Começando pelo lenga-lenga do "se vender". Existe coisa mais pop que hip hop, hoje em dia? E qual o problema com o pop? Contanto que seja música boa, qualquer estilo é agradável. Mas as influências rock n´roll (assim como Beastie Boys) também marcam o início de sua carreira. Ele parece não se preocupar. Continua, com suas músicas, querendo se divertir, namorar e trepar. Em 88, a música que vai pro topo das paradas é "Going back to Cali". O scratch e a batida funk da faixa são marcantes. O videoclipe com as meninas loiras de cabelo arrepiado, óculos escuros e dancinhas blasés esquisitas ajudam a compôr o clima cafona e divertido da canção. Mas é em 90 que LL Cool J é consagrado como rapper fodão com o disco "Mama said knock you out". Depois disso, se enfia no cinema e estrela alguns filmes ("Halloween: H20", "Um Domigo Qualquer" e grande elenco). Durante esse tempo, tem recaídas com discos que não fizeram muito sucesso.
Tem uma lojinha no quarto piso do Rio Sul (a única sobrevivente) que ainda deixa a gente dar uma folheada nas revistas importadas e não as lacra com sacos plásticos. E foi lá que vi essa edição de fevereiro da revista inglesa Muzik, dando uma revisada na cena dance dos anos 80 e destacando os nomes mais importantes. Na capa, a Madonna gordinha e rata de boate carregando hits como "Everybody" e "Holiday". Acho que naquela época ela dava pra todos os DJs sujos de Nova York. Ela e o amigo Keith Haring. Mas bem, ainda tem reportagem com Prince e o estouro de "Let´s Go Crazy", gente legal como Soul II Soul, Kraftwerk, New Order e Run DMC. E ainda traz um CD com gravações inéditas desses artistas que estouraram nos clubes. Eu tentei dar uma olhada pra saber como seriam essas versões, mas cada hora que puxava o CD para olhar atrás, fazia o barulho da cola descolando do plástico e eu recebia olhares reprovadores da bicha com cigarrinho do balcão.


